FERNANDO PESSOA EL BANQUERO ANARQUISTA PDF

Recommended to Junta by: The Selected Prose of Fernando Pessoa Shelves: short-stories-novellas , translated , portuguese , pessoa The Anarchist Banker A short story I read in The Selected Prose of Fernando Pessoa , which the author referred to as "a dialectical satire"; the editor and translator, Richard Zenith writes: "the narrative of actual events could fit into two pages; the other twenty-six are taken up by logical argument. As dubious as some of the premises may be, I loved the manner in which the banker explained his The Anarchist Banker A short story I read in The Selected Prose of Fernando Pessoa , which the author referred to as "a dialectical satire"; the editor and translator, Richard Zenith writes: "the narrative of actual events could fit into two pages; the other twenty-six are taken up by logical argument. To give you a taste of his Anarquista logicae? An anarchist is the term given to someone who rebels against the injustice of people being born socially unequal by rejecting all social formulas and conventions, and ardently struggles to abolish them all. Thus, I became an anarchist.

Author:Shakagore Araramar
Country:Czech Republic
Language:English (Spanish)
Genre:Career
Published (Last):6 January 2013
Pages:242
PDF File Size:14.19 Mb
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ISBN:158-1-49569-578-9
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Voltei-me para ele, sorrindo. Sou anarquista. Emprego a palavra no sentido vulgar. Toda a minha vida o mostra. Continuo sem perceber O que eu era, era inteligente. Parou um momento. Voltou-se um pouco mais para mim. Continuou, inclinando-se mais um pouco. Sentia-me revoltado. Quis perceber a minha revolta. Tornei-me anarquista consciente e convicto — o anarquista consciente e convicto que hoje sou. Tenho a que sempre tive, desde que me tornei anarquista. E assim por adiante, e em tudo Parou outra vez um momento, como a pensar como prosseguiria.

Fumou e soprou o fumo lentamente, para o lado oposto ao meu. Voltou-se, e ia a prosseguir. Tudo isso estava dentro da sua revolta Eu meditei tudo isso. Fitou um momento coisa nenhuma. Depois voltou-se para mim. Muito bem. E, como lhe vou mostrar Nem mesmo podia ser outra coisa.

E foi sempre assim. A gente tinha uma certa vontade de se instruir, de saber coisas, e ao mesmo tempo uma vontade de propaganda, de espalhar as nossas ideias. Pois bem. Decidi meter ombros a isso, conforme pudesse. A liberdade — a liberdade para si e para os outros, para a humanidade inteira.

Nem todos podem ser iguais perante a Natureza: uns nascem altos, outros baixos, uns fortes, outros fracos, uns mais inteligentes, outros menos Para a humanidade inteira. O que poderia eu fazer para esse fim? Mas em breve passei sobre tudo isto. Eu sentia-a natural. Tive esta dificuldade, e resolvi-a, se bem que mal, como lhe disse. Isto, ou coisa que o valha Mas enfim, concordaram todos O banqueiro, chegado aqui, fez uma pausa um pouco longa. Uns iam insensivelmente para chefes, outros insensivelmente para subordinados.

No facto mais simples isto se via. Reparou bem nestes dois pontos? Aqui havia um erro, um desvio qualquer. Os nossos intuitos eram bons; as nossas doutrinas pareciam certas; seriam errados os nossos processos? Com certeza que deveriam ser. Mas onde diabo estava o erro? Pus-me a pensar nisso e ia dando em doido. Olhou-me um momento sem me olhar. Depois continuou, no mesmo tom. Domina-o pelo emprego das suas qualidades naturais.

O servir os fins naturais da nossa personalidade. Ora, v. Imagine v. Uns mais, outros menos, tudo protestou! Aquela corja tinha nascido para escravos. Pus-me aos coices. Dei por paus e por pedras. E acabei por me vir embora. Quase que descri do anarquismo. Mas, passados uns dias, voltei a mim. Seguiria eu por ele. Foi simplesmente um gesto natural. Bastava o meu ideal. Suspendeu um pouco o discurso, que se lhe tornara quente e fluido.

E, como lhe disse, nunca me deu pra me julgar orador ou escritor. Assim seria. Estudei o caso, e vi que era asneira. Suponha v. Em que vinha isso tudo dar, em resumo?

Retirou logo o gesto, e continuou. Pelo que me dizia respeito a mim, compreende v.? Como subjugar o dinheiro, combatendo-o? Depois continuou, ainda com um certo calor, a sua narrativa. Levou um certo tempo, porque a luta foi grande, mas consegui.

Trabalhei, lutei, ganhei dinheiro; trabalhei mais, lutei mais, ganhei mais dinheiro; ganhei muito dinheiro por fim. Ataca uma imoralidade com um crime, porque acha que essa imoralidade vale um crime para se destruir. Ora o meu processo estava certo, e eu servia-me legitimamente, como anarquista, de todos os meios para enriquecer. Sou livre. Ora v. Libertei um. Libertei-me a mim. O que pude libertar, libertei. Eu libertei-me a mim; fiz o meu dever simultaneamente para comigo e para com a liberdade.

Mas eu nem sequer os impedi ocultando-lhes o verdadeiro processo anarquista; logo que descobri o processo, disse-o claramente a todos. Que mais podia fazer? Compeli-los a seguir o caminho? Houve uma pequena pausa. De repente ri alto. Lisboa, Janeiro de Fernando Pessoa.

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